Direções Contemporâneas na Arte Latino-Americana

Se a arte da América Latina tem uma característica primordial, é o escopo imaginativo que aparece na exposição coletiva “Masters of the Imagination: The Latin American Fine Art Exhibition”, na Agora Gallery, 530 West 25th Street, de 8 de setembro a 29. (Recepção: quinta-feira, 10 de setembro, das 18h às 20h.)

Nas pinturas do mexicano Francisco Agraz, ela se manifesta em uma misteriosa procissão de misteriosas figuras vestidas que parecem remontar à Inquisição ou a um vibrante céu noturno. Todas as fotos de Agraz têm drama e energia pictórica sugerindo uma visão contemporânea de El Greco.

A chilena artist Ana Maria Garcés R., que vive e trabalha no Chile, incorpora tênues imagens figurativas, como fantasmas da memória, em composições de campos de cores luminosas. Seu trabalho é ao mesmo tempo poeticamente evocativo e cheio de nuances abstratas. O mexicano Israel Vazquez é outro artist que mescla o figurativo e o abstrato, embora de maneira mais gestual. De fato, em algumas de suas pinturas, como “Caos II”, a composição dá lugar à dança espalhafatosa da pura “pintura de ação”. Depois, há a brasileira Christine Drummond, que emprega uma técnica “global” mais frequentemente vista em abstração para criar cenas de mercado repletas de figuras minúsculas. O efeito geral é animado e alegre em virtude da propensão de Drummond para cores vibrantes.

Pedro Leon, pintor equatoriano, é outro colorista consumado, ainda que de forma mais contida, como se vê no seu “Touro Livre”, em que o formidável bovino confronta o espectador num campo de formas florais estilizadas. O trabalho de Leon possui uma força formal que deriva do fato de ele também ser um excelente desenhista.

O desenho também desempenha um papel importante nas pinturas de Sonia Ferrari, uma excelente desenhista argentina, que parece fundir a complexidade cinética de “Nu descendo uma escada” de Duchamp com os rosas quentes carnudos de “Mulher” de De Kooning em seu nu “Mujer de Rogo.” Elementos escultóricos e teatrais entram no trabalho de Maria Laura Pini, também da Argentina, que emprega uma técnica inovadora de papel cortado com precisão para criar quadros intrincados de várias figuras, nos quais as sombras projetadas aprimoram o drama visual. Muito no espírito eclético do pós-modernismo, Marcela Albitos, da Cidade do México, aparentemente se sente livre para se mover entre radiantes abstrações táteis com um senso de luz que lembra Turner para composições geométricas estritas. De fato, a unidade sensorial da obra de Albito transcende as limitações estilísticas.

Fortemente conceituais, empregando a fotografia junto com a pintura, os trabalhos em mídia mista da brasileira Rosane Demeterco Bussmann ressoam com a emoção humana. Em uma de suas imagens mais comoventes, a mão de um adulto e a de uma criança são abruptamente separadas por uma divisão repentina. Escuramente monocromáticas e misteriosas, mas construídas sobre uma forte armadura formal, as pinturas do chileno Giancarlo Bertini traduzem o amor permanente do artist pela pintura renascentista em termos abstratos. As composições de Bertini exalam uma intensidade moderada. Em contraste, as telas de Isabel Santta Cecilia, influenciadas pela arte popular de seu Brasil natal, projetam uma energia quase excêntrica com sua infinidade de formas coloridas. Algumas das formas de Cecilia são florais e outras lembram as engrenagens de um relógio, e todas interagem em composições com uma energia deslumbrante semelhante à arte psicodélica dos anos 1960. Uma energia semelhante, embora inspirada no grafite de rua e empregando algumas de suas tintas fluorescentes em aerossol junto com acrílicos e óleos, anima as pinturas do colombiano artist Giovanny Sanchez Tot. Personagens de desenhos animados, letras rabiscadas, números e formas abstratas arrebatadoras interagem com um efeito explosivo nas composições de Tot.

O plano bidimensional da imagem fornece a arena para as explorações requintadamente austeras da pintora brasileira Mayumi Luppi de formas retangulares em sua maioria abstratas em tons suaves de terra. No entanto, Luppi emprega temas reconhecíveis para efeitos igualmente formais em uma composição representando uma grade de garrafas de vinho. Depois, há Javier Peña, cuja paleta de ricos marrons, ocres e azuis evocam a terra e o céu de seu México natal, mas cujo coração pertence ao expressionismo abstrato. O pintor de um pintor, a pintura de Peña ganha vida vibrante em virtude de sua pincelada vigorosa e espalhafatosa.

Como todos os artists nesta exposição, Peña exemplifica o espírito criativo da América Latina.

–– Maurício Taplinger

Créditos da imagem: Pareja, Mídia mista em tela, 23,5" x 31,5"

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