Daniel Sewell na Agora: Reconfigurando o Cubismo

Figurativo, cubista, improvisado, orientado para o processo” é assim que Daniel Sewell, um americano artist que vive atualmente em Xangai, na China, resume suas composições em tinta spray. No entanto, uma complexidade conceitual subjacente e uma ressonância alusiva que desafia essa descrição sucinta aparecem nas obras de Sewell em exibição na Agora Gallery, 530 West 25th Street, de 8 a 29 de setembro. PM.)

Para um artist contemporâneo se “apropriar”, se é que se pode usar um termo carregado, o vocabulário formal do cubismo é, neste ponto da história da arte, um ato de ousadia. Afinal, o cubismo rompeu com uma tradição artistic com cerca de 500 anos e simultaneamente revitalizou-a ao apresentar uma nova forma de olhar o mundo. Assim, o artist que se empenha em adotar seus métodos deve, por sua vez, nos apresentar uma nova forma de olhar o cubismo. E, felizmente, Sewell faz exatamente isso.

Pois enquanto as formas que ele favorece são descaradamente derivadas das fraturas planas com as quais seus antecessores cubistas se esforçaram para representar objetos tridimensionais em uma superfície plana sem recorrer à ilusão de perspectiva, sua técnica de pulverizar tinta através de estênceis sobrepostos é de fato espontânea e orientado para o processo, permitindo-lhe trazer uma sensibilidade pós-moderna eclética de forma inovadora, mesmo ao prestar homenagem à fundação formal do modernismo. Por um lado, seu uso de tinta spray sugere as táticas de bater e correr dos artists do grafite urbano, embora empregadas com uma precisão formal mais fria; por outro, como Paul Klee e William de Kooning em suas maneiras diferentes –– e, aliás, Picasso em “Guernica” –– ele estende o vocabulário do cubismo para fins expressivos.

Na série intitulada “PP Chop'd & Screwed”, por exemplo, Sewell dá uma nova guinada nos múltiplos ângulos de visão do cubismo analítico com imagens de rostos sobrepostos com características reorganizadas de forma tão variada que sugerem estados psicológicos complexos, como transtorno de personalidade múltipla, ao invés de meras permutações formais. Da mesma forma, em alguns nus da mesma série, ele reconfigura imaginativamente a figura feminina, criando muitas vezes surpreendentes anomalias anatômicas que cumprem seu objetivo declarado de encontrar “soluções para o que parecem ser limites na representação da natureza”.

Mas talvez a inovação mais impressionante de Sewell seja o dispositivo compositivo de apresentar seus aglomerados de formas cubísticas como entidades discretas isoladas em extensões de espaço “vazio”. Pois, juntamente com o viés geralmente monocromático de sua paleta, que geralmente consiste em uma única cor pulverizada sobre um fundo branco ou colorido, isso sugere uma intrigante confluência da iconografia ocidental e do espaço asiático, possivelmente inspirada por sua residência na China ou pela afinidade por Cultura asiática em geral que ocasionou sua estada ali, assim como em outras regiões do Oriente.

No entanto, ele afirmou em uma entrevista que suas colaborações com outros artists, bem como com cientistas, deram a ele “uma apreciação pelo processo, bem como por estabelecer diretrizes e regras antes de iniciar uma peça ou série”. E parece que sua abordagem deliberada e conceitual, combinada com as decisões em frações de segundo que ele deve tomar no ato de empregar estênceis e tinta spray para sobrepor suas formas na forma de colagem (a invenção mais radical do cubismo) é o que investe seu trabalho com sua combinação única de rigor formal e espontaneidade.

–– Byron Coleman

Créditos da imagem: PP picado e aparafusado (4), tinta spray, 30" x 20"

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